sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Cívico

FERIADO

Vamos deletar o texto, criar o pretexto, afinar o protesto, juntar os restos e desfilar as liberdades plausíveis, aplaudir os guardiões de nossas liberalidades permitidas, permitir as conjunções verbais, verberar as permissões permissivas, permanecer intato, com teto, sem tétano, a título de, com o total calculado e o tutano total. Não é hora para chorar o leite derramado, o peixe escapado, o cheque não compensado, o chique não alcançado, o choque desprevenido, o chute da bola na trave, o agudo e o grave, o grave e o informal, o útil e o desagradável, o biodegradável e o saco plástico, o descartável e o bem durável, o reciclável e o lixo nuclear. Quando não se trabalha, se desfila em fila a folha corrida, a falha corrigida, a filha adotiva, os dotes inatos, os ditos inúteis, os dutos fechados, as putas fichadas, as portas abertas, as pernas cansadas, o pito apagado, o pinto incitado, o pato caindo, o peito caído, o preito indeferido, o trejeito suspeito, a prova dos nove. Desfile seu ódio, desfolhe seu tédio, encubra seu fraco, esvazie seu saco, engula em seco, desfeche um soco, saboreie este suco, sucumba diante das provas ou prove o contrário. Contra a força fraca o argumento forte, contra o forte a sorte, o corte a sutura, a corte o capricho, o lixo o asseio, o assado o assim, o afim o desafinado, o fim o começo, o começo do fim. Afinal, nós viemos aqui pra ver o desfile ou pra desfilar?

Nenhum comentário: