quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Manual da cultura inútil

Quem não sabe o que é pornografia?


Quem pode estabelecer os limites da pornografia? O vereador, o prefeito, os pais, o dicionário? A fotografia da mulher de trajes mínimos no anúncio do telefone celular é pornográfica? A mulher nua na capa da revista para homens, o manequim em roupas de banho no magazine, o Adão, a Eva e a serpente peladões de Michelangelo na capela Sistina, o mendigo com a bunda de fora na esquina, o galo traçando a galinha no terreiro, o Ratinho falando palavrão na tv, o pastor endógeno, o padre pedófilo, os quadrinhos do Zéfiro, o show da Madona, o sorriso da Monalisa, a camisa do Maradona, a sanfona do Zé Correia, a baleia do twitter, a suite do presidente, a enchente do Tietê, as tietes do Faustão, a calvície do Falcão, a hipertensão do Lula, a bula do remédio, o tédio do ermitão, a onda verde da Barão, o pão que o diabo amassou, o peão que o touro amansou, a moção de louvor, a congestão nasal, o coliforme fecal, conforme está no edital, o movimento sem terra, as guerras do Barak Obama, os rompantes bolivarianos, as barbas brancas do Fidel, a fidelidade do corintiano. Pornografia é um axioma. Tanto pode ser um ato sexual público propriamente dito, com um simples dito popular. O que meus olhos veem um escândalo os seus podem não passar de um criativo nu artístico. O pornográfico é relativo. Tanto pode ser um coito a céu aberto, uma cópula a descoberto, como uma inofensiva masturbação mental. O vil metal, o cio mensal, o comensal, o desfile de carnaval, o animal do curral. Tudo é pornográfico. E eu sou apenas um sofrível pornógrafo.